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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA

Saraí de Brito Cardoso

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil (MANSUR; FAVARATO, 2011). O Brasil é o segundo país do mundo em número de cirurgias cardíacas realizadas anualmente, totalizando cerca de 102 mil cirúrgicas/ano (SBCCV, 2012). A Circulação Extracorpórea (CEC), procedimento imprescindível na maioria das cirurgias cardiovasculares, é responsável por trazer riscos e complicações relacionados à biocompatibilidade. Um grande desafio é desenvolver revestimentos de materiais utilizados na CEC que se assemelhem ao endotélio, capaz de minimizar as reações provocadas pelo contato do sangue com as superfícies estranhas ao organismo.
A cirurgia cardiovascular com circulação extracorpórea (CEC) é considerada de alta complexidade por envolver alto custo e alto nível tecnológico. O pós operatório imediato (POI) é realizado na unidade de terapia intensiva (UTI).
Após o término da cirurgia, o paciente é transportado para a UTI porque tem necessidade de ventilação mecânica, drogas vasoativas, monitorização invasiva e assistência multiprofissional contínua. Desta forma assistida, todos os controles são realizados de maneira contínua e registrados de hora em hora chegando a ser até de três em três horas, quando o paciente já estará no 2º dia de pós-operatório, apto para alta da UTI (KNOBEL; AGUIAR; GHIOTTO, 2006).
A CEC é um procedimento complexo que consiste em substituir as funções do coração e pulmão por meio de máquinas propulsoras, tubos biocompatíveis, dentre outros dispositivos de alta tecnologia, durante o tempo necessário para as correções cirúrgicas do coração (SOUSA; ELIAS, 2006).
A utilização da CEC é necessária em 90% dos casos de cirurgia cardiovascular de alta complexidade e de longa duração. A evolução e o desenvolvimento da CEC permitiram que patologias cardiovasculares complexas fossem abordadas cirurgicamente e o que antes era inoperável, significando uma sentença de péssima qualidade de vida ou até mesmo curta duração de vida tornou-se solução para problemas graves e complexos na área da cardiologia.
Apesar da alta tecnologia e grandes avanços na área da cirurgia cardiovascular, a CEC não reproduz fidedignamente os órgãos coração, pulmão, endotélio e a fisiologia humana, sendo possível que ocorra alterações fisiológicas com repercussões importantes para o organismo no pós-operatório (BARBOSA, et al. 2010).
Estudos afirmam que quanto maior o tempo de circulação extracorpórea, maiores serão as chances de ocorrerem complicações. Fatores de risco pré-existentes também proporcionam maior vulnerabilidade aos pacientes com relação ao aparecimento de complicações, como a idade, sexo, patologias de base (hipertensão arterial, diabetes mellitus, etc.), tabagismo, dentre outros. Vale ressaltar que, a facilidade de desenvolver complicações é maior nos pacientes idosos e nas crianças, principalmente recém-nascidos e lactentes (LAIZO;DELGADO;ROCHA, 2010; KUBRUSLY, 2010).
Dentre os principais problemas que acontecem decorrentes da CEC e que repercutem no POI de cirurgia cardiovascular, relacionam-se: a importante resposta inflamatória que os pacientes desenvolvem ao ter o seu sangue exposto a superfícies não endoteliais dos equipamentos, a heparinização total do paciente necessária para o procedimento da CEC, a hemodiluição excessiva ou necessidade de uso de sangue homólogo para o preenchimento do circuito de CEC; a lesão da microcirculação causada pelo tipo de fluxo imposto pelas bombas do equipamento (MOTA, et al., 2008).
De acordo com Mota, et al., 2008, diversas estratégias tem sido aplicadas para melhorar e reduzir a ativação das plaquetas e dos sistemas proteicos da calicreina, coagulação, fibrinólise e complemento, além de eliminar a necessidade da heparinização, ou pelo menos reduzir as doses necessárias, como a aplicação de fluxo pulsátil, utilização de prime autólogo retrógrado, utilização de minicircuitos, e circuitos impregnados.
 Os tubos plásticos funcionam como condutores do sangue entre os diversos componentes do circuito extracorpóreo, e fazem as conexões com o sistema circulatório do paciente. Estes tubos são produzidos a partir de diversas formulações de polímeros do vinil, dos quais o mais usado é o cloreto de polivinil (PVC, de polyvinyl chloride) (SOUSA; ELIAS;, 2006).
As características mais importantes para qualquer tubo que seja utilizado para conduzir o sangue em um circuito extracorpóreo são a transparência, flexibilidade, resistência, elasticidade, inércia química, tolerância aos diversos métodos de esterilização e baixo índice de espalação (SOUSA; ELIAS;, 2006).
Alguns estudos mostram que circuitos revestidos de heparina, ou  fosforilcolina, ou a utilização de co-polímeros, cujos “microdomínios” hidrofílicos e hidrofóbicos são alternados na superfície de contato com o sangue  e a utilização de nanotubos de carbono utilizados como revestimento pode prevenir a ativação de plaquetas e a trombose conferindo melhor biocompatibilidade entre circuitos de circulação extracorpórea e o sangue (GAFFNEY, et al., 2014).
Os resultados de pesquisas em revestimentos para tornar os circuitos mais biocompatíveis são promissores no que se refere à redução da morbidade e mortalidade decorrentes de reações orgânicas relacionadas aos materiais da CEC em pós-operatório de cirurgia cardiovascular (RANUCCI, et al., 2009).








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